Padrinhos, Familiares e Amigos

Para Miltes e Frans Odink

Padrinhos são os presentes da história da nossa vida, que se sentem felizes por estar presentes... E que nos fazem presentes... Padrinhos são o que há de melhor na amizade... Dedicam-se ao cuidado e ao carinho... Fazem da vida um gesto de gratidão e amor... São amigos dentre os amigos... São aqueles que nos fazem sentir abençoados, apenas por estarmos próximos.

Padrinhos são como o poema de Vinicius de Moraes...

 

A todos os nossos queridos irmãos e irmãs 

A todos os nossos queridos familiares e amigos

 

"Procura-se um Amigo"

"Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimento, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grande chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive." (Vinicius de Morais, diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor brasileiro).    


Für Miltes und Frans Odink

Paten sind die Geschenke unserer Lebensgeschichte, die sich glücklich schätzen, da zu sein... Und die uns beschenken... Paten sind das Beste an der Freundschaft... Sie widmen sich der sorgsamen und liebevollen Zuwendung... Sie verwandeln das Leben in eine Geste der Dankbarkeit und Liebe... Es sind Freunde unter Freunden... Es sind diejenigen, die uns fühlen lassen, dass wir gesegnet sind allein dadurch, dass wir uns Paten sind wie das Gedicht von Vinicius de Moraes...

An alle unsere lieben Brüder und Schwestern

An alle unsere Angehörigen und Freunde

 

  “Es wird ein Freund gesucht"

"Es muss kein Mensch sein, es reicht, menschlich zu sein, Gefühle zu haben, ein Herz zu haben. Er muss sprechen und schweigen können, vor allem zuhören können. Er muss Gedichte lieben, die Morgenfrühe, Vogelgesang, die Sonne, den Mond, das Rauschen des Windes und die Melodien der Brise. Er muss eine grosse Liebe für jemanden empfinden oder sonst eine solche Liebe vermissen. Es soll den Nächsten lieben und den Schmerz respektieren, den die Passanten mit sich tragen. Er soll Geheimnisse wahren, ohne Opfer zu bringen.

Er muss nicht erster Hand sein, es ist auch nicht unerlässlich, dass er zweiter Hand ist. Er kann schon getäuscht worden sein, denn alle Freunde werden getäuscht.

Er muss nicht rein sein, auch nicht ganz unrein, aber er soll nicht vulgär sein. Er soll ein Ideal haben und Angst davor, dieses zu verlieren, und wenn dies nicht so ist, soll er die grosse Leere empfinden, die das hinterlässt. Er soll menschliche Resonanzen haben, sein Hauptziel soll das des Freundes sein. Er soll Mitleid mit den traurigen Menschen empfinden und die grosse Leere der Einsamen verstehen. Er soll Kinder lieben und diejenigen bedauern, die nicht geboren werden konnten.

Es wird ein Freund gesucht, der dieselben Dinge liebt, die man selber liebt, der gerührt ist, wenn man ihn Freund nennt. Er soll über einfache Dinge sprechen können, über den Tau, über grosse Regengüsse und die Kindheitserinnerungen. Man braucht einen Freund, um nicht den Verstand zu verlieren, um ihm das Schöne und das Traurige, das man im Laufe des Tages gesehen und erlebt hat, die Sorgen und Erfüllungen, die Träume und die Wirklichkeit zu erzählen. Er soll einsame Strassen, Wasserpfützen und nasse Wege, Strassenränder, das Gestrüpp („mato“) nach dem Regen und sich ins Gras legen lieben.

Man braucht einen Freund, der sagt, dass es sich lohnt zu leben, nicht weil das Leben schön ist, sondern weil man bereits einen Freund hat. Man braucht einen Freund, um mit dem Weinen aufzuhören. Damit man nicht auf die Vergangenheit zurück schaut auf der Suche nach verlorenen Erinnerungen. Der uns lachend oder weinend auf die Schulter klopft, der aber Freund zu uns sagt, damit man sich bewusst wird, dass man noch lebt.“ (Vinicius de Morais, brasilianischer Diplomat, Dramaturg, Journalist und Komponist).